desenvolvimento de uma nova competência;

 DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito;

 NOTA: quando forem necessários observações ou complementações para o seu conhecimento; 

IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; 

EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; 

VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias;

 SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; 

REFLITA: se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre;

 ACESSE: se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; 

RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens;

 ATIVIDADES: quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; 

TESTANDO: quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas;








SUMÁRIO Surgimento da neuroeducação..................................................12 

Desenvolvimento histórico da neuroeducação.............................12 

Neuroeducação - conceito e implicações.....................................15 

Neurociência em benefício da neuroeducação – janela de oportunidades.............................................................................16

 Neuroeducação aplicada na escola...........................................20 

Neuroeducação e docência, estudando o cérebro.........................20

 Neuroeducação e as estratégias educacionais..............................22 

Melhor forma de usar a neuroeducação na escola............28

 Estilos de aprendizagem............................................................32 

Diversos estilos de aprendizagem ..............................................32

 Jogos digitais na facilitação da aprendizagem.............................35

 Proposta de aprendizagem diferenciada..................................38 

Como surgiu a ideia de aprendizagem diferenciada ...................38 

A importância do jogo de tabuleiro.............................................41


INTRODUÇÃO

Surgimento da Neuroeducação

O mundo está em constante evolução, pessoas inventam coisas novas todos os dias, a ciência evolui junto com a tecnologia. Assim, nasce a concepção de algo que já existe, mas era pouco estudada: a neuroeducação. A neuroeducação consiste na junção da educação, psicologia e neurociência, estudando como o cérebro funciona, para que seja possível compreender a melhor forma de aprendizagem para as pessoas. 

Quando se descobre a melhor maneira que cada indivíduo adquire conhecimento, é mais fácil para que os professores planejem suas aulas e assim preparem os alunos para a vida, fugindo do método convencional e se adequando na melhor forma de ensino, podendo utilizar, inclusive, os jogos. Diante do exposto, é essencial aprofundarmos nosso conhecimento a respeito da neuroeducação.


Surgimento da neuroeducação 

Ao término deste capítulo você será capaz de entender o impacto que a neurociência e a psicologia trouxeram para a aprendizagem humana ao desenvolverem a neuroeducação

. Trataremos sobre como a neurociência conseguiu entender a maneira que o cérebro funciona para absorver informações e as implicações da neuroeducação na vida das pessoas. Vocês estão empolgados? Vamos lá. Avante! Desenvolvimento histórico da neuroeducação

 Muitos acham que a neuroeducação é uma nova área de conhecimento, todavia, ela nada mais é do que a junção dos fundamentos da educação, psicologia e neurociência. Antes de analisarmos a neuroeducação, vamos estudar sobre a educação. Muitos sabem que a educação existe, mas desde quando ela existe? Quando se fala em educação, remete-se primeiro a Grécia antiga, onde surgiram os primeiros relatos de educação por meio das Paideias. Paideia significa, literalmente, “educação dos meninos”, ela continha temas como Geografia, Matemática, Ginástica, Gramática, Música, História e Filosofia e tinha como principal objetivo formar pessoas perfeitas e completas, com capacidade de ser líder, mas também de ser liderado, desempenhando assim um papel positivo para sociedade. 

Dessa forma, era construída a importância de cada indivíduo para a sociedade, pois viram que cada um faz parte de uma cadeia social. Com o passar do tempo, esse conceito foi se alterando, deixando de lado a ideia da importância de cada indivíduo para a sociedade e trazendo à tona que cada pessoa tinha mais importância de acordo com o que produzia. Dessa forma, aquele que adquirisse mais conhecimento era considerado o melhor aluno, todavia, só quem estudava eram os indivíduos privilegiados.


Neuroeducação e Tecnologias Educacionais 13 Tudo que se sabia sobre educação, sobre o comportamento humano e a aprendizagem, advinha de pesquisas simplórias, pois ainda não existia o escaneamento cerebral. Assim, todas as maiores mudanças começaram a ocorrer após o surgimento da neurociência, onde começou a se estudar sobre o sistema nervoso. Durante décadas, os especialistas na área de neurociência estudaram para conseguir entender como as moléculas e as células nervosas trabalham.

 Grande parte de suas pesquisas não foram feitas em cérebros humanos, mas sim, nos nervos de peixe-zebra, lesmas. Dessa forma, chegaram à conclusão do quanto a neurociência pode contribuir com a educação, tendo como foco principal a compreensão da influência do sistema neural na conduta humana. Todavia, a neurociência não sugere uma nova pedagogia, nem muito menos promete uma solução no que se refere às dificuldades de aprendizagem, ela ajuda a apoiar práticas pedagógicas e ainda encaminham ideias para intervenções, tendo como base que, para traçar as estratégias de ensino deve-se respeitar a forma como o cérebro funciona, assim, essa estratégia será mais eficaz. 


NOTA: O cérebro é perseguido pelos desafios, pelas recompensas e pela vontade de superação, isso porque esses componentes são os que causam a ativação neuronal. 

Os neurocientistas concluíram que ocorre a ação de aprender devido a uma reação bioquímica, sendo realizada pela formação da memória e dos conceitos pelos indivíduos. Dessa forma, os educadores foram comparados aos neurocientistas, pois eles procuram a melhor forma de passar informações, estimular e poder moldar a mente dos estudantes, tornando mais eficaz o funcionamento da mente por meio da transformação do cérebro com a ampliação da sua base de conhecimento. 14

 Neuroeducação e Tecnologias Educacionais

 A neurociência não estabelece um modelo novo de pedagogia, muito menos promete que as dificuldades de aprendizado serão solucionadas, seu papel é ajudar a fundamentar a prática pedagógica, orientando ideias para intervenções, atestando que as estratégias de ensino que respeitam o funcionamento do cérebro serão mais eficientes.

 Em conjunto com os conhecimentos obtidos pela neurociência, a psicologia que sempre andou de mãos dadas com a educação, começou a introduzir questionamentos diferenciados para o contexto educacional, sendo uma das ciências que primeiro contribuiu no processo educacional da aprendizagem, colaborando com todos os seus conhecimentos acerca do comportamento humano, envolvendo as emoções, as motivações, os afetos e a formação de vínculos, enfim, todos os processos que envolvem a aprendizagem.

 Foi a partir desse desenvolvimento da aprendizagem, em conjunto com a psicologia, que a neurociência estabeleceu uma ligação com a psicologia, e que a pedagogia se viu na obrigação de olhar a educação de uma forma diferente, se pautando na educação e na aprendizagem, decidindo voltar à origem, na Grécia com as Pandeias, encarando o ser humano com a cadeia social. Dessa forma, a neurociência modificou as áreas que eram especializadas em algo, tornando-as interdisciplinares, sendo nomeadas de neuroeducação. Mesmo sabendo que a neuroeducação é integrada pela neurociência e a educação, ainda existe um grande obstáculo entre essas áreas, impedindo a sua comunicação devido à linguagem utilizada por elas, pois a educação trata da esfera comportamental e a neurociência possui diferentes características instruídas pelo sistema nervoso. O profissional da neuroeducação é o neuroeducador, ele resgata a prática das Paideias, observando as pessoas nas questões que devem ser melhoradas e suas potencialidades, utilizando-se disso para construir um planejamento individual para cada aluno, mas não são só os alunos que aprendem, o neuroeducador ao construir o planejamento também adquire mais conhecimento. 


 Neuroeducação e Tecnologias Educacionais 

 Neuroeducação - conceito e implicações Tendo em vista o que foi estudado no tópico anterior, o que podemos concluir acerca da neuroeducação? De acordo com o estudado, sabemos que a neuroeducação é uma área interdisciplinar que resulta da combinação entre a psicologia, a educação e a neurociência, com a finalidade de compreender os processos cognitivos e emocionais que procedam em melhores métodos de ensino e de currículos. Dessa forma, temos como preocupação a compreensão dos mecanismos cerebrais que não se manifestam claramente com relação à aprendizagem e como esse mecanismo pode otimizar as práticas de ensino.

 NOTA: 

A neuroeducação mostra que a arte de aprender significa modificar comportamentos. 

A neuroeducação também se preocupa em compreender quais são os distúrbios e as doenças nervosas e como eles afetam a aprendizagem do aluno e a importância que o professor tem, podendo colaborar com outros profissionais na ajuda em identificar esses problemas em sala de aula, para que assim, possam enfrentar esses problemas com os métodos da educação especial, colaborando para inclusão social dos alunos afetados. Espinosa (2008) propõe 14 princípios da neuroeducação. Princípios esses que favorecem as diretrizes das áreas que estruturam a neuroeducação (psicologia, neurociências e educação). 

Vejamos. • Para o estudante aprender melhor, ele precisa ser motivado; • O estresse influencia na aprendizagem; • A ansiedade bloqueia a aprendizagem; • Depressão pode impedir a aprendizagem; 16 Neuroeducação e Tecnologias Educacionais • O tom de voz que uma pessoa fala com outra é julgado pelo cérebro como ameaçador ou não ameaçador; • As intenções das pessoas são julgadas quase que instantaneamente; • A comunicação é importante para o aprendizado; • As emoções têm um papel-chave no aprendizado; • Movimento pode potencializar o aprendizado; • O humor pode intensificar as oportunidades de aprendizado; • A alimentação traz impacto para o aprendizado; • Noite mal dormida ocasiona impacto na consolidação da memória; • Cada indivíduo possui um estilo de aprendizado; 

• Diferenciação nas práticas de sala de aula são justificadas pelas distintas inteligências dos alunos. Assim, a neuroeducação deve se preocupar com os seguintes fatos: o cérebro possui um sistema emocional que afeta de modo direto todos os processos de ensino-aprendizagem; as aprendizagens são de forma direta relacionadas a uma rede de estímulos neuronais, que são determinadas pela ação dos neurotransmissores; quando o aluno, em meio ao contexto educacional, ficar com tédio ou desânimo, sem que sua curiosidade tenha sido despertada, o cérebro do aluno não vai ser estimulado; para que o aluno tenha interesse em aprender os três sistemas do mecanismo cerebral (sistema cognitivo, sistema emocional e sistema instintivo) , eles devem ser incentivados pelo professor de forma adequada.

 A neuroeducação é a ajuda para que o indivíduo multiplique sua inteligência, aperfeiçoando e evoluindo o seu talento natural, advindo de sua genética. Neurociência em benefício da neuroeducação – janela de oportunidades Para entender melhor o quanto os impactos do mundo exterior e o modo como vivemos influenciam nossa mente, vamos fazer uma apologia simples: todos os celulares saem das lojas da mesma forma, só Neuroeducação e Tecnologias Educacionais que para donos diferentes. 

Cada dono ao receber seu aparelho instala os aplicativos que deseja, pois os celulares têm um leque de opções, inserir contatos, tirar fotos, excluir o que não se utiliza mais etc. Assim, mesmo os celulares de início sejam iguais uns aos outros, a partir do momento em que pertencem a com pessoas diferentes, suas funcionalidades se tornam diferentes. É dessa forma que nosso sistema nervoso funciona, possuímos bilhões de neurônios que nos permitem estabelecer inúmeras conexões que podem ser intensificadas de acordo com a individualidade de cada pessoa. Assim como na analogia dos celulares, os quais ao serem recebidos pelos seus donos vão além da configuração de fábrica, sendo personalizados de acordo com seu dono, os indivíduos nascem iguais, todavia, precisam de modificações para se adaptar ao meio em que vivem, uma longa aprendizagem. 

Um bom exemplo de como o meio influencia no desenvolvimento do indivíduo é a linguagem, crianças que nascem nos Estados Unidos, nascem iguais no Brasil, contudo, como o meio social que tem como língua materna o inglês, ela desenvolverá a língua inglesa. Já crianças que nascem no Brasil, por estarem inseridas em um meio que tem como língua principal o português, elas irão falar português. Existem períodos denominados de janela de oportunidades, que são mais recorrentes nos primeiros anos de vida. Nessa janela, o cérebro está mais propenso à aprendizagem, em que há um favorecimento entre as conexões que envolvem as diferentes áreas cerebrais, ou seja, nesse período quando o indivíduo fica exposto a estímulos, ele tem mais facilidade de desenvolver seu cérebro. 

Os conhecimentos obtidos nesses períodos podem ter resultados surpreendentes. Sabe-se que o cérebro da criança tem maior capacidade que o cérebro do adulto, todavia, isso não significa que o cérebro adulto não possua mais capacidade de aprendizagem, pois esta se mantém com o indivíduo a vida inteira. Entretanto, quanto mais velha ela fica mais a pessoa necessitará de empenho e ajuda para que sua capacidade possa ser desenvolvida. 18 Neuroeducação e Tecnologias Educacionais Bartoszeck (2007), embasado nos estudos de Doherty (1997), elaborou um quadro apresentando as faixas etárias em que as funções são melhor estimuladas (Figura 1). Figura 1 – Janelas de oportunidades


Essas janelas de oportunidades devem ser entendidas de tal maneira que possam apresentar aos indivíduos os estímulos adequados, pois estimular demais pode causar problemas iguais a não estimular. Considera-se estimular demais quando alguém obriga outro indivíduo a fazer algo que ele ainda não saiba, causando, dessa forma, frustações. Além disso, deve-se se atentar para qualidade do estimulo. Durante as janelas de oportunidade, Peruzzolo e Costa (2015) destacam as principais atividades que devem ser exercidas: A representação de entretenimentos e jogos que promovam a motivação e o interesse da criança a participar de forma ativa; conter elementos de diferenciação que possam prender a atenção da criança durante o processo; possibilitar a estimulação das áreas mais comprometidas da criança, utilizando-se das mais desenvolvidas, a fim de tornar a intervenção mais completa possível; eliminação de fatores inibitórios que possam bloquear a estimulação programada. (PERUZZOLO; COSTA, 2015, p.7)


 Neuroeducação e Tecnologias Educacionais 

 É um estimulo a longo prazo para que os indivíduos possam absorver de forma que não os comprometam, devendo otimizar as ações que favoreçam a janela de oportunidades, com ações que variam da qualidade do sono à qualidade da alimentação, sendo todo dia considerado importante para essa formação. As inteligências em um ser humano são mais ou menos como as janelas de um quarto. Abrem-se aos poucos, sem pressa e pra cada etapa dessa abertura existem múltiplos estímulos. (...) É um erro supor que o estímulo possa fazer a janela abrir-se mais depressa. Por isso, essa abertura precisa ser aproveitada por pais e professores com equilíbrio, serenidade e paciência. O estímulo não atua diretamente sobre a janela, mas se aplicado adequadamente, desenvolve habilidades, e estas sim, conduzem a aprendizagens significativas. (ANTUNES, 2000, p.19 apud OLIVEIRA, 2015, p.18-19). RESUMINDO: Neste capítulo, tratamos do conceito da neuroeducação, mostrando sua interdisciplinaridade, seus princípios e o quanto a neurociência contribuiu para a formação da melhor forma de aprendizagem do indivíduo. Além disso, abordamos a construção da neuroeducação e suas implicações. 


 Neuroeducação e Tecnologias Educacionais Neuroeducação aplicada na escola Neste capítulo, será desenvolvido um estudo sobre o cérebro humano, levando em consideração como ele atua na aprendizagem. Em seguida, será abordado como a neuroeducação influencia a vida dos estudantes e como os professores podem agir para que os alunos possam desenvolver uma aprendizagem eficiente. Preparados? Vamos lá. Neuroeducação e docência, estudando o cérebro A neuroeducação, como já vimos, tem como característica um novo tratamento com relação ao pensamento e à ação, tendo como principal objetivo disponibilizar aos educadores e aos professores fundamentos que associam o cérebro à aprendizagem. Os professores que são interessados no desenvolvimento da pedagogia, deverão tratar de estudar os elementos cerebrais de caráter anatômico e funcional. Na atual conjuntura do país, os fatores que mais influenciam no desempenho dos estudantes são os sociais e os econômicos, assim, é de suma importância que, os professores se apropriem do padrão de adquirir conhecimento, que é a aprendizagem, a qual atua como produto do funcionamento do cérebro. Isso se justifica pelo fato de que para o cérebro aprender algo novo ou absorver informação a mais do que já sabe, depende do grau em que se encontra o aluno no contexto de aprendizagem. É de suma importância que, o conhecimento neurofuncional para a pedagogia. Ao compreender como funciona o cérebro, haverá um fortalecimento dos fundamentos sólidos na formulação das metodologias de ensino. Assim, estudaremos sobre as funções cerebrais: Neuroeducação e Tecnologias Educacionais 21 • Processo humano das informações Os sinais sensórios (as informações) chegam ao cérebro e são processados por intermédio de uma execução do sistema de redes neurais, transformando-se assim em condutas e comportamentos. Segundo Puebla e Talma (2011): [...] as redes criam determinado padrão conectivo, as quais cumulam a capacidade de retroalimentação devido à conecção com a memória, significando aprendizagem. Em outras palavras, após ocorrido determinado processamento de informação, ao apresentar a mesma configuração de conexões no sistema de redes neuronais no cérebro, diz-se que ocorreu uma aprendizagem. Após o período de aprendizado, quando você apresentar o mesmo padrão novamente para o sistema de rede, ele irá reconhecer e repetir a operação que já foi testada anteriormente (PUEBLA; TALMA, 2011, p. 382.) Tradução da autora) As redes cerebrais possuem autoajuste e auto-organização. • Atenção A atenção é de suma importância na efetivação de uma tarefa, pois, mantendo a atenção ocorrerá o processamento de informações. Ela tem função permanente, atuando de forma multifuncional nas ações e funções cerebrais. Atua de maneira seletiva, pois possui a habilidade de focar uma ideia ou tarefa ignorando o mundo exterior, ajudando para que não haja a perda de concentração na tarefa. Também atua nas funções alternadas, fazendo com que haja a mudança de foco, isto é, ela proporciona a oportunidade de alternar diferentes tarefas que possuem níveis de exigência diferentes. Além disso, atua na função sustentada, possibilitando a habilidade de manter uma resposta constante no decorrer de uma atividade intensa e repetitiva, proporcionando que haja concentração em uma tarefa por um tempo contínuo sem distração. 22 Neuroeducação e Tecnologias Educacionais • Memória A memória é formada quando os neurônios respondem ao serem ativados. A aprendizagem de maneira mais básica pode ser vista como o procedimento para adquirir memória, ocorrendo por meio de processos neurológicos complexos que se constituem em memória de consolidação ou de longa duração. Memória é a aquisição, a formação, a conservação e a evocação de informações. A aquisição é também chamada de aprendizado ou aprendizagem: só se grava aquilo que foi aprendido. A evocação é também chamada de recordação, lembrança, recuperação. Só lembramos aquilo que gravamos, aquilo que foi aprendido. (IZQUIERDO, 2002, p. 9). Para o desenvolvimento da memória existem várias estratégias de ensino com base na neurociência, como: escrever resumos, realizar perguntas, entre outras. • Sistemas cognitivos sociais Os sistemas cognitivos sociais são de interesse para a evolução da neuroeducação, sendo investigados pela neurociência. Apresentam relevantes funções cerebrais relativas ao planejamento e ao controle das emoções e, além disso, participam do processo da linguagem formal e da música. Por esse motivo, é importante que sejam conhecidas e estimuladas corretamente. Neuroeducação e as estratégias educacionais É nítido o avanço dos estudos no campo da neurociência e dos jornais que mostram cada dia uma novidade que emergem para as diversas áreas do conhecimento. Por que então a educação também não seria beneficiada, sendo ela importante até para a formação dos neurocientistas? O avanço dos estudos pela neurociência sobre o cérebro humano, vem desencadeando uma série de mudanças que precisam elevar-se para o campo educacional, levando em consideração que Neuroeducação e Tecnologias Educacionais 23 quanto mais se conhece o cérebro humano, novos métodos de ensino e aprendizagem podem ser criados. De acordo com a neuroeducação, os métodos utilizados pelos educadores devem ir além dos livros, quadros, vídeos, devendo conter tecnologia e experimentos. Faz-se necessária a utilização de métodos diversificados para o ensino, pois, como já visto, cada pessoa tem seu próprio modo de aprender. REFLITA: Como você aprende mais rápido? Qual seu método de aprendizagem? É necessário que os educadores compreendam o sistema nervoso, devendo adquirir conhecimento sobre a aprendizagem do cérebro, assim como suas particularidades e especificidades com relação à aprendizagem, objetivando melhorar sua técnica educativa, minimizando, dessa forma, possíveis dificuldades de ensino e aprendizagem, por meio de uma reorganização na forma de ensino. Deve-se analisar que, a formação do docente não se dá exclusivamente por cursos de aperfeiçoamento, mas, pela técnica de refletir sobre sua prática que mesmo presa ao programa de formação não se deve deixar firmar uma identidade, pois corre o risco de o professor se tornar “clichê”. 24 Neuroeducação e Tecnologias Educacionais SAIBA MAIS: Em Teresópolis, o professor de biologia, Leandro Costa, não sabendo como controlar o uso dos celulares, decidiu usar isso a seu favor criando uma oficina de vídeo na qual os estudantes foram estimulados a filmar com seus celulares uma animação que explica o funcionamento das células. Acesso o link https://glo.bo/3fKAslI Em um contexto histórico, os docentes foram formados para repassar os conceitos teóricos, sem a necessidade de se preocupar em articular a teoria e a prática. Para muitos docentes, a abordagem por competências não “diz nada”, pois nem sua formação profissional, nem sua maneira de dar aula predispõem-nos para isso.(...) Enquanto não souberem realmente organizar e avaliar processos de projeto e situações- -problema, os ministérios irão propor-lhes textos inteligentes que permanecerão sem eco, porque seus destinatários não seguiram o mesmo caminho pedagógico e teórico e não partilham da concepção de aprendizado e de ensino que subjaz aos novos programas. (PERRENOUD, 2000, p. 82). 

Para que haja uma mudança, é necessário entender a transformação, pois para essa transformação há necessidade da aceitação do novo, devendo-se estudar o processo de mudança. O professor deve saber o que norteia o modelo de ensino para articular sua prática, pois caso ele não saiba o que sustenta esse modelo, haverá apenas uma inclusão, sem existir o entendimento e a prática adequada daquilo que a neuroeducação propõe, pois não tem como trabalhar de forma adequada e satisfatória algo que não se conhece. Neuroeducação e Tecnologias Educacionais 

 NOTA: A aprendizagem é considerada o processo em que o cérebro reage aos estímulos do ambiente, ativando as sinapses que formam as conexões sinápticas, fazendo elas ficarem mais intensas. Dessa forma, a cada novo estímulo que recebemos ou repetições de comportamentos que queremos que sejam estabelecidos, possuímos circuitos para processar as informações, que posteriormente serão consolidadas. Dessa forma, para que uma aprendizagem seja considerada significativa, deve-se estabelecer uma junção da nova informação e todos os conhecimentos importantes que já existem na estrutura cognitiva do estudante, estabelecendo, assim, uma construção e ampliando as redes neurais que armazenam as memórias e as informações.

 É de extrema importância para a neuroeducação, considerar o conhecimento prévio e apresentar atividades que embasem a aquisição de novos sentidos nos estudantes. A teoria da aprendizagem significativa é uma teoria construtivista porque defende que o conhecimento é um processo construtivo e valoriza, portanto, muito o papel da estrutura cognitiva prévia de quem aprende. A aprendizagem é considerada em última instância um processo pessoal e idiossincrásico, ainda que muito influenciado por fatores sociais e pelo ensino na sala de aula que é um processo eminentemente social. Trata-se de uma teoria cognitivo-humanista em que o ser humano atua recorrendo a pensamentos, sentimentos e ações para dar significado às experiências que vai vivendo. (VALADARES, 2011 apud OLIVEIRA; LACERDA, 2012). Elaborar atividades motivadoras que provoquem no aluno o pensar, podendo, assim, chegar às suas próprias conclusões, exige empenho e esforço. O professor deve pensar, propondo desafios que 

 Neuroeducação e Tecnologias Educacionais incentivem no aluno um pensamento mais criterioso, pois quando o assunto é de interesse do aluno, ele sente prazer em aprender. NOTA: Aprender é mudar o cérebro conforme as experiências. O processamento de informações, as conexões entre neurônios, são as sinapses, que remodelam o que acontece no seu cérebro em função do aprendizado, ou seja, o caminho certo depende do aprendizado (PERNAMBUCO, 2012, p.13 apud OLIVEIRA; LACERDA, 2012). Além das aulas, outro ponto bastante discutido são as avaliações. As avaliações, muitas vezes, são vistas como classificatórias, mas elas vão além desse dilema de notas altas, ela se torna uma observação do professor em relação ao aluno em todo o ano letivo. A avaliação foi considerada critério para a aprendizagem somente no século XIX, sendo considerada como uma forma de expor resultados adequados em relação à maneira de ensinar e aprender. 

No processo de aprendizagem, esse valor está relacionado com dados numéricos, acontecendo da seguinte forma: o professor elabora uma prova e considera a quantidade de acertos obtidos nela para dar a nota. Mas essa avaliação vai muito além do seu processo quantitativo, devendo o professor analisar, além disso, o processo qualitativo. Todavia, como vestibular, concursos, exames avaliam de acordo com as notas, os alunos se cobram cada vez mais, o que muitas vezes dificulta o processo de aprendizagem. Em uma abordagem mais voltada para a neuroeducação, tendo em vista todas as mudanças que o professor deve fazer de acordo com cada estudante, ele deve além de mudar sua metodologia em sala de aula, mudar também sua maneira avaliativa, Carvalho (2011) apresenta várias perguntas: Neuroeducação e Tecnologias Educacionais 


 NOTA: Há pesquisadores futuristas que acreditam que futuramente nas salas de aula existirá aplicativos que tenham neuroimagens capazes de qualificar instantaneamente o grau de aprendizagem de cada aluno em relação ao que está sendo estudado na sala de aula. Quantos professores sabem que um simples trabalho de memorização de diferentes tipos de textos exige diferentes níveis de oxigenação do cérebro? Que quanto mais complexa a atividade proposta e à medida que se eleva o grau de raciocínio, o fluxo sanguíneo no cérebro é mais intenso? O professor tem noção de que sua ação pedagógica desencadeia no organismo do aluno reações neurológicas e hormonais que podem ter influência na motivação para aprender? [...] (CARVALHO, 2011 apud OLIVEIRA; LACERDA, 2012). Analisando essas perguntas, podemos observar o quanto o conhecimento do sistema neural pode contribuir para as avaliações.


Sabe-se que essa atitude é controvérsia, tendo em vista que em algum momento os estudantes terão que se submeter a exames, nem que seja fora do ambiente escolar, mas o que questionamos nesta Unidade é a aprendizagem com a neuroeducação. Assim, tendo em vista que com os métodos diferenciados os estudantes aprenderão mais e de uma maneira mais eficaz, quando forem se submeter a testes, provas para ingressas na universidade, estarão já com uma carga de aprendizado alta, podendo facilitar na hora da avaliação.





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